Capital nacional da cerâmica de alta temperatura. Fornos noborigama, fogo a lenha e mais de meio século de tradição — conheça os ateliês da cidade.
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De potes tamoios a um forno-dragão japonês fincado na Serra da Bocaina — como uma cidade de montanha virou a capital nacional da cerâmica de alta temperatura.
Antes de qualquer forno monumental, havia o barro e as mãos. Os tamoios, povos originários do Vale do Paraíba, modelavam potes e moringas, misturando à argila conchas moídas e fibras vegetais e queimando as peças em fogueiras abertas. A tradição sobreviveu nas paneleiras — mulheres que, por gerações, faziam louça de barro para o cotidiano da cidade.
A virada veio no outono de 1975. Um grupo se instalou no antigo matadouro da cidade e ergueu ali o primeiro forno noborigama do Brasil — e, com ele, uma ponte improvável entre a Serra da Bocaina e o Japão.
O noborigama é uma estrutura de tijolos construída em aclive, com câmaras sucessivas em degraus que acompanham a encosta. O fogo a lenha — eucalipto da região — sobe de câmara em câmara e ultrapassa os 1.400 °C. Uma fornada pode durar mais de 40 horas e abrigar mais de mil peças de uma só vez.
É nessa temperatura extrema que acontece a alquimia: a cinza da madeira, levada pelo calor, derrete sobre o barro e forma vidrados orgânicos, imprevisíveis. Nenhuma peça sai igual à outra. Cada tigela é um diálogo entre fogo, argila e acaso — e a cidade tinha tudo à mão: argila, lenha, feldspato e caulim para os esmaltes.
Da dissolução do grupo pioneiro nasceram dezenas de ateliês individuais. Mais de meio século depois da primeira fornada, Cunha reúne mais de 50 ateliês em atividade e é o maior polo de cerâmica de alta temperatura da América Latina, com instituições próprias — o Instituto Cultural da Cerâmica de Cunha, o Memorial da Cerâmica e o Festival de Cerâmica — que mantêm viva a tradição e formam novos ceramistas.
Fontes: “Cerâmica em Cunha: 40 anos de forno noborigama no Brasil” (ICCC); Sebrae/CRAB; projeto Jacuhy; Revista Amarello. Texto resumido para o guia.
Este guia reúne os ateliês de cerâmica de Cunha em um único lugar.
Para cada ateliê você encontra a localização, contato e foto “vitrine” do trabalho do ceramista, com vínculo direto à sua rede social.
Iniciativa
O Instituto Cultural da Cerâmica de Cunha reúne os ceramistas da cidade. É quem cuida da tradição do forno noborigama e ajuda a formar quem está começando.
Concepção e desenvolvimento do app
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